Terça-feira, 4 de Março de 2008
Letras a 60 dias
Claro que me chateia atirar com este trabalho todo borda fora, principalmente com os mapas, e de mais a mais agora que acabo de (sim, pois, eu sei, finalmente) pôr on-line os ficheiros POI.
Afinal, para quê e para quem esta trabalheira toda? Valerá a pena? Qual é o troco ou será que existe alguma espécie de troco, ao menos?
Bem, assim uma resposta curta e grossa? Não. Não há. O que há, é o costume, o "bom" e velho costume português da carneirada, a técnica portuguesa da "Maria vai c'as outras"; ou seja, depois de uns quinze dias, talvez três semanas, no máximo, de estrebuche e de berreiro sortido, o português típico, neste caso o fumador, acabou por meter a viola no saco e por ir à vidinha, na maior das calmas, perfeitamente conformado com a sua sorte.
Ainda a "lei do tabaco" não fez três meses, ainda nem sequer lhe rebentaram os dentinhos de leite, e já o fumador português acha normalíssimo rapar um frio de rachar à porta do centro comercial mais fino ou da tasca mais rasca do país, enquanto despacha à pressa o seu cigarrito criminoso. A lavagem ao cérebro tem sido de tal forma eficaz (como se sabe, a lavagem é tanto mais eficaz quanto menor for a quantidade de matéria a lavar), que são os próprios fumadores que, pressurosamente, se aprestam a fornecer "opiniões" favoráveis às extraordinárias medidas de "protecção" da "saúde pública" que inventam as chamadas autoridades. Perdão. Retiro o termo "inventam"; não inventam nada; quem inventou esse tipo de tretas não foram as nossas autoridades; sequer a invenção é coisa recente; já nos idos de 30 do século passado este género de patranhas fez furor e contribuiu, pelos vistos decisivamente, para a ascensão do Partido (Nacional) Socialista ao Poder. Adiante.
Já se notam os típicos sintomas de lassidão, o deixandar da ordem, aquilo que nos distingue, enfim, no chamado concerto das nações. O Português adora, pelos vistos e como de novo se verifica, levar porrada nos cornos. É cá um palpite que eu tenho, apenas isso, mas "quer-me parecer" que, de resto, o Português típico não quer nem deseja outra coisa que não bordoada, cacete, chicote, rédea curta. Andar de mansinho e falar pianinho. Isto da beata murcha e apagada, não é caricatura - é paradigma. Refilou por desfastio, mas só um bocadinho e até levar a primeira cacetada; assim que a primeira lhe acertou, o portuguesito amochou, embatucou, calou. O portuguesito é assim mesmo. Um caladito. Um morcãozito que verga a mola ao primeiro sinal de borrasca. É o gajo que não quer chatices com ninguém, por definição, e muito menos com gente de farda ou de cifrões, o que vem a ser quase toda a gente.
Ao princípio, ainda havia umas lérias, umas discussões, umas tertúlias, e assim. Agora, trinta e tal dias depois, piu. Népia. O excelente fórum cá do sítio, por exemplo, essa linda ferramenta que tive a peregrina ideia de criar, ali está positivamente às moscas, a colher e a acolher anúncios pornográficos, muito útil para quem procura extensões penianas e coisas que tais, totalmente inútil para e sem nada a ver com o tabaco, os fumadores ou o fumo. Enfim, uma tristeza. Mais uns dias e, se não for o site inteiro, pelo menos o raio do fórum lá terá de ir de vela, visto não estar ali a fazer nada.
De todos os militantes da minha tertúlia particular, apenas resta um elemento que boicota sistematicamente os locais reservados a não fumadores. Adivinhem quem. Pois. Eu. Moi. Toda a gente, um por um, uma por uma, por isto e por aquilo, principalmente por aquilo, se foi rendendo à "inevitabilidade" das circunstâncias, ou lá o que é. Ah, sim? Pois eu cá não vou a restaurantes ou cafés onde não se possa fumar de todo. De todo.
Já que estamos em maré de balanço dos 60 dias, por assim dizer, referência a outra tanga também aqui antes mencionada, aquela dos clubes privados; até agora, pelo menos, não se viu nada. Pode ser que, um destes dias (ou meses, ou anos, ou décadas), apareça por aí qualquer coisinha, mas sinceramente não me parece; aquilo deve ter sido lá um arremedo daquela prestigiosa associação de comerciantes. É outra característica portuguesa: o entusiasmo inicial. "Vamos fazer isto e aquilo?", ocorre a alguém perguntar, amiúde; "'bora!", é a invariável, arrebatada, possessa, histérica, patriótica resposta dos circunstantes. Bom, mas a coisa dá trabalho... Ah... Ehrrr... Dá trabalh.. Aaahhh... E não é p'ra dar lucro... Eeeee... Não é p'ra dar lucr... Eeee... Ehrrr... Bem...
Pois. Nada feito. Esquece lá isso, meu. 'Bora lá fazer mazé mais uma esplanada c'um ganda som, pomos uma P.A. com 2000 por canal, 4 canais em torre, tázaver, meu, prontsh, aquilo assim é ao ar livre, tázaver, a gente cobre tudo com lonas (olha, inda por cima é à borliú, os gajos das marcas pagam as lonas e tudo), e pronto, ficamos c'uma discoteca baril, aquilo é ao ar livre, já tinha dito?, é fumadores, é não fumadores, até podemos servir uns comes, uns burriés, e assim, hã, mais fixe não podia, yá?
São uns cómicos, estes militantes da causa da saúde pública, estes adeptos da protecção contra o "fumo passivo". Alguns deles, note-se, muitos deles até, verdadeiros fumadores, não de tabaco, essa horrível substância, mas de outras, hoje em dia socialmente aceites e bem vistas. Veremos, já no próximo Verão, que se aproxima a passos largos, como irão conviver - certamente com alegria e em sã convivência - as duas comunidades de viciados, os toxicodependentes e os maníacos da saúde. Curioso, e sociologicamente porventura interessante, poderá vir a ser observar também a forma como interagem estes dois grupos connosco, fumadores; sinceramente, palpita-me que não vão gostar muito de nos ver ali, nas "suas" esplanadas. Palpita-me mais: palpita-me que vai haver porrada de criar bicho, no Verão, por essas esplanadas fora, no nosso querido Portugal. Não é por nada. É cá por coisas.
Por fim, e apenas para aproveitar a boleia do post, gostaria de deixar aqui uma pergunta que me ocorreu enquanto dormia. Diz-me a experiência que não se deve deixar engasgadas perguntas que nos ocorrem durante o sono. Não sei porquê, mas pronto. A pergunta é a seguinte: os bombeiros podem fumar em serviço?
E, já agora: é permitido fumar nos incêndios?
Responda quem não souber.
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Domingo, 2 de Março de 2008
O Guerra já era. Agora é a guerra

Lei do Tabaco: Bar do Porto fecha por falta de clientes
Porto, 01 Mar (Lusa) - O Bar Guerra, no Porto, vai deixar de funcionar a partir de domingo, por falta de clientes desde que entrou em vigor a Lei do Tabaco, em 01 de Janeiro, disse à agência Lusa fonte empresarial.
tamanho da letra
"Desde o princípio de Janeiro que começou logo a ter quebras, porque era uma clientela fumadora", disse à Lusa o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP), António Fonseca.
O empresário referiu que o Bar Guerra, situado no início da Rua do Heroísmo, "não tem espaço ao ar livre", pelo que não teve alternativa que não fosse impedir os clientes de fumar.
"É a primeira vítima da Lei do Tabaco e poderá ser o princípio de uma bola de neve. Em 2004, na Irlanda, fecharam 600 bares" por causa de uma lei semelhante, salientou.
António Fonseca disse que o Bar Guerra, "um bar típico de rock dos anos 70, com uma decoração de baterias e guitarras", vai abrir hoje pela última vez, permitindo a todos os clientes que fumem à vontade.
Para António Fonseca, "as ameaças da ASAE e a ambiguidade da Lei do Tabaco" estão a causar muita perturbação no sector,
O presidente da ABZHP criticou o director-geral da Saúde, Francisco George, por ainda não ter respondido a dois requerimentos sobre a aplicação da Lei do Tabaco aos clubes reservados a sócios que tenham zona de bar.
FZ.
Lusa/Fim
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-03-01 22:25:01
Notícia RTP
Etiquetas: asae, estabelecimentos, lei, proibido, ss
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
O combate ao tráfico de nicotina
http://www.youtube.com/watch?v=nCs4yMXs1is
Descobri este vídeo através de um blog chamado Tabacaria, nem de propósito. Ambos, vídeo e blog, estão em Francês, mas algo me diz que têm tudo a ver com Portugal. Um por causa dos autores e do assunto, o outro apenas devido ao assunto.
Porém, ao contrário dos autores do blog e dos autores do vídeo, eu cá não achei piada nenhuma à coisa. Trata-se, afinal, de um simples retrato com o seu quê de futurista daquilo que, mais tarde ou mais cedo, acabará por suceder e que, afinal, bem vistas as coisas, já acontece por aí - não de forma tão escarrapachada e flagrante, não tanto assim, mas lá chegaremos. É uma questão de tempo, repito, e não há-de ser tanto quanto isso. É só esperar para ver, e quanto mais sentados esperarmos, mais depressa esse "lindo" futuro chegará.
Sinais não faltam, à nossa volta: o antitabagismo militante é já hoje uma profissão de fé e um verdadeiro entretém, mesmo a calhar para brigadas de ociosos vários, desde as oficiais, fardadas ou à civil, às informais, constituídas por jovens maníacos da saúde e da cruz suástica, ou às ainda mais informais, as do chamado "homem da rua", a turba ignara sedenta de sangue que não sabe o que fazer ao ódio que sente a tudo o que mexe. Isto para já não falar dos velhinhos e velhinhas cuja última réstia de esperança de redenção e vida eterna reside no massacre sistemático, o extermínio, a erradicação daquilo que julgam ser a raiz de todo o mal: não havendo já demónio, em pessoa ou em sentido figurado, nem bruxas, nem comunistas, nem sequer fascistas, pois então arranje-se qualquer coisa, o fumadorzito, esse malvado, serve perfeitamente.
Não, não tem gracinha nenhuma, aquele filme. Se é humor, é negro como "piche". Nós, fumadores, não vamos ser perseguidos, no futuro, como dantes o eram os consumidores de drogas ditas "duras"; nós já somos perseguidos, escorraçados, insultados, diminuídos, desconsiderados, descriminados, multados; podemos mesmo ser encarcerados, se "desobedecermos" à autoridade ou se à autoridade apetecer meter-nos na pildra; e é já hoje também que os consumidores de drogas duras, heroína, cocaína, anfetaminas, todas as merdas que se possa imaginar, são protegidos pelo Estado, financiados, acarinhados, dão-lhes sítios para chutar na veia, dão-lhes "kits" com seringas, e limãozinho e colher p'ró caldo, e ainda, para mais brinde, toma lá uns preservativos e um tubozinho de lubrificante, pronto, coitadinho, drogadito, vá lá, a bem da nação, despacha-te.
A insanidade tomou o Poder, é certo. Seria talvez de boa política tentarmos, nós outros, ao menos conservar um módico de juízo.
Aquilo é um documento. Mas não é engraçado, porra.
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
El Pino a pino
http://www.youtube.com/watch?v=qREkvLzu_dU
Este restaurante estava em território português, a 3 km da fronteira espanhola. Os espanhóis vinham cá comer e beber, deixar receita e impostos. A ASAE fiscaliza colheres de pau, tábuas de plástico, lavagens de casa-de-banho quatro vezes por dia, coisas estranhíssimas e importantíssimas e ainda, é claro, o cigarrito da ordem.
Os proprietários do restaurante mudaram-se para Espanha e estão agora a 7 km da fronteira, mas do lado de lá. Ainda por cima, e à boa maneira espanhola, ali pode-se fumar à vontade.
Os portugueses, se quiserem, que se desloquem agora e deixem ao governo espanhol os seus impostos. Não apenas os impostos dos belos petiscos, das belas comidinhas, da bela cozinha que lá se continua a fazer sem qualquer entrave, como os impostos da estupidez, os encargos da boçalidade, os entraves da cegueira e ainda os incómodos da mais pura e dura imbecilidade.
Portugal arrisca-se a transformar-se no mais higiénico e purista dos desertos, livre de todo o mal e de todo o fumo, sem um único restaurante para fumadores mas também sem um único restaurante ou, em última análise, sem seja o que for, em suma, um sítio lindo para os senhores inspectores da ASAE jogarem à bisca lambida uns com os outros ou, quem sabe, para se inspeccionarem mútua e detalhadamente.
O mapa do fumador acaba de se internacionalizar, por conseguinte. A localidade de El Pino entrou no mapa do Portugal fumante. Se alguém souber o nome do restaurante, o endereço exacto e o número de telefone do estabelecimento, o pessoal dos puros agradece.
Exibir mapa ampliado
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Maldita nicotina
A Direcção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira que vai solicitar à ASAE que inicie, «prioritariamente», inspecções nos estabelecimentos de restauração e bebidas que tenham afixado o dístico azul de «fumadores», relata a agência Lusa.
«A Direcção-Geral da Saúde, para promover o cumprimento da Lei, irá solicitar à ASAE que desencadeie, prioritariamente, inspecções nos estabelecimentos de restauração e bebidas que tenham afixado o dístico azul», indica uma nota da DGS divulgada esta quarta-feira.
Esta medida prende-se com o facto de diversos estabelecimentos com menos de 100 metros quadrados, que no dia 1 optaram por estabelecer a proibição de fumar, afixando o dístico vermelho, alteraram posteriormente aquela opção, sem, no entanto, «observarem as condições exigidas por Lei para tal».
A DGS lembra ainda que os equipamentos de ventilação e extracção de ar para o exterior só estarão legais «se forem autónomos em relação ao sistema geral» e «se garantirem a qualidade do ar interior» de forma a protegerem dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores.
Portugal Diário
Publicado no Apdeites em 10.01.08.
Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
IV Reich Zeitung

Cartoon da autoria do português Ferreira dos Santos, publicado e alojado no site Sergei Cartoons.
Publicado no Apdeites em 03.01.08.
Domingo, 30 de Dezembro de 2007
O Fumaças vai ser proibido?
Lei n.º 37/2007
de 14 de Agosto
Aprova normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do seu consumo.Artigo 4.º
Proibição de fumar em determinados locais
1 — É proibido fumar:
a) Nos locais onde estejam instalados órgãos de soberania, serviços e organismos da Administração Pública e pessoas colectivas públicas;
b) Nos locais de trabalho;
c) Nos locais de atendimento directo ao público;
d) Nos estabelecimentos onde sejam prestados cuidados de saúde, nomeadamente hospitais, clínicas, centros e casas de saúde, consultórios médicos, postos de socorros e outros similares, laboratórios, farmácias e locais onde se dispensem medicamentos não sujeitos a receita médica;
e) Nos lares e outras instituições que acolham pessoas idosas ou com deficiência ou incapacidade;
f) Nos locais destinados a menores de 18 anos, nomeadamente infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, lares de infância e juventude, centros de ocupação de tempos livres, colónias e campos de férias e demais estabelecimentos similares;
g) Nos estabelecimentos de ensino, independentemente da idade dos alunos e do grau de escolaridade, incluindo, nomeadamente, salas de aula, de estudo, de professores e de reuniões, bibliotecas, ginásios, átrios e corredores, bares, restaurantes, cantinas, refeitórios e espaços de recreio;
h) Nos centros de formação profissional;
i) Nos museus, colecções visitáveis e locais onde se guardem bens culturais classificados, nos centros culturais, nos arquivos e nas bibliotecas, nas salas de conferência, de leitura e de exposição;
j) Nas salas e recintos de espectáculos e noutros locais destinados à difusão das artes e do espectáculo, incluindo as antecâmaras, acessos e áreas contíguas;
l) Nos recintos de diversão e recintos destinados a espectáculos de natureza não artística;
m) Nas zonas fechadas das instalações desportivas;
n) Nos recintos das feiras e exposições;
o) Nos conjuntos e grandes superfícies comerciais e nos estabelecimentos comerciais de venda ao público;
p) Nos estabelecimentos hoteleiros e outros empreendimentos turísticos onde sejam prestados serviços de alojamento;
q) Nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou espaços destinados a dança;
r) Nas cantinas, nos refeitórios e nos bares de entidades públicas e privadas destinados exclusivamente ao respectivo pessoal;
s) Nas áreas de serviço e postos de abastecimento de combustíveis;
t) Nos aeroportos, nas estações ferroviárias, nas estações rodoviárias de passageiros e nas gares marítimas e fluviais;
u) Nas instalações do metropolitano afectas ao público, designadamente nas estações terminais ou intermédias, em todos os seus acessos e estabelecimentos ou instalações contíguas;
v) Nos parques de estacionamento cobertos;
x) Nos elevadores, ascensores e similares;
z) Nas cabinas telefónicas fechadas;
aa) Nos recintos fechados das redes de levantamento automático de dinheiro;
ab) Em qualquer outro lugar onde, por determinação da gerência ou de outra legislação aplicável, designadamente em matéria de prevenção de riscos ocupacionais, se proíba fumar.
2 — É ainda proibido fumar nos veículos afectos aos transportes públicos urbanos, suburbanos e interurbanos de passageiros, bem como nos transportes rodoviários, ferroviários, aéreos, marítimos e fluviais, nos serviços expressos, turísticos e de aluguer, nos táxis, ambulâncias, veículos de transporte de doentes e teleféricos.Artigo 5.º
Excepções
1 — Sem prejuízo do disposto na alínea d) do n.º 1 do artigo anterior, podem ser criadas áreas exclusivamente destinadas a pacientes fumadores em hospitais e serviços psiquiátricos, centros de tratamento e reabilitação e unidades de internamento de toxicodependentes e de alcoólicos desde que satisfaçam os requisitos das alíneas a), b) e c) do n.º 5.
2 — Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, podem ser criadas nos estabelecimentos prisionais unidades de alojamento, em celas ou camaratas, para reclusos fumadores desde que satisfaçam os requisitos das alíneas a), b) e c) do n.º 5, sendo ainda admitido fumar nas áreas ao ar livre.
3 — Nos locais mencionados nas alíneas a), b), c), d), e), h), i), j), l), m), n), o), p), q), r) e t) do n.º 1 do artigo anterior, bem como nos locais mencionados na alínea g) do n.º 1 do artigo anterior que integrem o sistema de ensino superior, é admitido fumar nas áreas ao ar livre.
4 — Nos locais mencionados na alínea s) do n.º 1 do artigo anterior é admitido fumar nas áreas ao ar livre, com excepção das zonas onde se realize o abastecimento de veículos.
5 — Nos locais mencionados nas alíneas a), b), e), j), l), n), o), p) e t) do n.º 1 do artigo anterior, bem como nos locais mencionados na alínea g) do n.º 1 do referido artigo que integrem o sistema de ensino superior e nos locais mencionados na alínea h) do n.º 1 do mesmo artigo que não sejam frequentados por menores de 18 anos, pode ser permitido fumar em áreas expressamente previstas para o efeito desde que obedeçam aos requisitos seguintes:
a) Estejam devidamente sinalizadas, com afixação de dísticos em locais visíveis, nos termos do disposto no artigo 6.º;
b) Sejam separadas fisicamente das restantes instalações, ou disponham de dispositivo de ventilação, ou qualquer outro, desde que autónomo, que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas;
c) Seja garantida a ventilação directa para o exterior através de sistema de extracção de ar que proteja dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores.
6 — Nos locais mencionados na alínea q) do n.º 1 do artigo anterior com área destinada ao público inferior a 100 m2, o proprietário pode optar por estabelecer a permissão de fumar desde que obedeça aos requisitos mencionados nas alíneas a), b) e c) do número anterior.
7 — Nos locais mencionados na alínea q) do n.º 1 do artigo anterior com área destinada ao público igual ou supe rior a 100 m2 podem ser criadas áreas para fumadores, até um máximo de 30 % do total respectivo, ou espaço fisicamente separado não superior a 40 % do total respectivo, desde que obedeçam aos requisitos mencionados nas alíneas a), b) e c) do n.º 5, não abranjam as áreas destinadas exclusivamente ao pessoal nem as áreas onde os trabalhadores tenham de trabalhar em permanência.
8 — Nos locais mencionados na alínea p) do n.º 1 do artigo anterior podem ser reservados andares, unidades de alojamento ou quartos para fumadores, até um máximo de 40 % do total respectivo, ocupando áreas contíguas ou a totalidade de um ou mais andares, desde que obedeçam aos requisitos mencionados nas alíneas a), b) e c) do n.º 5.
9 — Sem prejuízo do disposto no n.º 2 do artigo anterior e das limitações constantes dos regulamentos emitidos pelas empresas transportadoras ou pelas capitanias de portos, é permitido fumar nas áreas descobertas nos barcos afectos a carreiras marítimas ou fluviais.
10 — Sem prejuízo do disposto no n.º 6, a opção pela permissão de fumar deve, sempre que possível, proporcionar a existência de espaços separados para fumadores e não fumadores.
11 — A definição das áreas para fumadores cabe às entidades responsáveis pelos estabelecimentos em causa, devendo ser consultados os respectivos serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho e as comissões de segurança, higiene e saúde no trabalho, ou, na sua falta, os representantes dos trabalhadores para a segurança, higiene e saúde no trabalho.
"Lei do Tabaco": texto integral (link)
Publicado no Apdeites em 30.12.07.
Domingo, 9 de Dezembro de 2007
O primeiro de Janeiro
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Como sempre acontece quando um problema é resolvido, também neste caso algumas vozes se levantam em protesto; bem, não se levantam lá muito, ele é mais uns murmúrios e umas rosnadelas, e assim. Ainda restam por aí uns quantos (pouquíssimos) criminosos que alvitram coisas vagas e soezes como o seu "direito à escolha", por exemplo; que "nos meus pulmões mando eu", dizem eles; que se alguém quer dar cabo da sua própria saúde, isso é com cada qual, dizem eles; dizem também, entre duas baforadas do seu nojento vício, que os antitabagistas militantes são uma cambada de pides ressabiados, delegados do Santo Ofício no armário, patrulheiros higienistas, sádicos, pervertidos, racistas, nazis.
Tretas. Não é nada disso.
A legislação está aí, clara e transparente, os meios de repressão a postos, a opinião pública em geral perfeitamente formatada e de acordo: a partir do próximo primeiro de Janeiro, fumar é crime. Pim.
Aquilo que por fim se conseguiu não tem nada a ver com a liquidação de qualquer liberdade individual, muito menos a liberdade de escolha ou o direito a cada um decidir aquilo que é melhor para si próprio. O que agora toma forma de lei geral, universal, transversal, vertical, horizontal, etc. e tal, está completamente isenta de qualquer intenção menos abonatória: não existe nela qualquer atitude persecutória em relação a modos de vida, hábitos pessoais, idiossincrasias ou sequer ao carácter específico deste ou daquele indivíduo.
Fumar não é, nunca foi, um acto individual; pelo contrário, é iminentemente colectivo, pela simples razão de que se um fuma, então toda a gente em volta dele está fumando também. Por conseguinte, em nome da liberdade e da saúde dos outros, muitos, é absolutamente necessário que alguns, poucos, deixem de empestar o ambiente. Isso é igualmente benéfico para os próprios, nitidamente, e é algo que apenas espíritos doentios e mentes maldosas poderão persistir em negar ou sequer objectar alguma coisa a respeito. É também, ou principalmente, a esses mesmos viciados que se dirige a legislação do primeiro de Janeiro: há que fazê-los ver a luz, forçá-los a viver num ambiente saudável ou, em última análise, em não sendo outra coisa possível, espetar com eles no chilindró. Talvez assim se curem por si mesmos, sem dar outras despesas e maçadas à boa sociedade. Nos casos de maior renitência ou relapso, e ainda no que diz respeito àqueles que se atreverem a levantar cabelo, há que persistir na cruzada, sem desfalecimentos nem hesitações, uns banhos gelados de agulheta, umas chapadas nas trombas ou umas quantas pauladas valentes pelos lombos. Se não vai a mal, pior para eles, essa corja abjecta.
Os números falam por si e os cadáveres estão aí, à vista de quem quiser ver, para o provar à saciedade. Essas cifras, essas terríveis estatísticas, não foram nunca exageradas, mistificadas, aldrabadas. As fotografias dos cadáveres, a 256 cores, ou mais, ilustrando o cancro do pulmão e de outras maleitas ainda mais aborrecidas, não foram retocadas ou de alguma forma trabalhadas para inspirar terror. Quase nada nessas fotos ou nos filmes, documentários, estudos, documentos, palestras e conferências sobre o assunto, e também quase nada nas manifs de catarse do Mal brônquico se refere à emissão e à inalação de milhões de toneladas de fumos dos escapes dos automóveis ou dos altos fornos industriais. A seu tempo, é claro, também resolveremos essas chatices, mas para já aquilo que pretendemos - haja calma, uma coisa de cada vez - é lixar os fumadores de uma vez por todas.
Note-se que absolutamente nenhuma das pessoas mais dedicadas à causa do antitabagismo tem a mais ínfima espécie de ressentimento pelo facto de lidar mal com o prazer em geral e com os prazeres alheios em particular. Ninguém é movido por instintos predatórios, e muito menos com raiva incontrolável ou mal resolvida, contra aquilo a que os monomaníacos chamam "pequenos prazeres da vida". Nem um só desses justos militantes sente o mais ínfimo gozo por poder, com autoridade moral, institucional e legal, mandar alguém apagar um cigarro. Nenhum, mas absolutamente nenhum, imagina sequer estar ele próprio viciado, já a um nível de dependência física e psíquica, no poder do mando; nenhum necessita da sua dose diária, cada vez mais sistemática e obsessiva, desse pó de mando, desse apetitoso autoritarismo. Todas estas maldosas alegações não passam, por conseguinte, de efeitos colaterais de que tipicamente padecem os fumadores.
Enfim, companheiros: conseguimos. Essa é que é essa. Poderemos agora, porque atingimos os nossos objectivos, tranquila e impunemente confessar que o velho e relho argumento do "fumo passivo" era uma patranha para enganar totós. Foi uma galga muitíssimo bem esgalhada (hihihi, ai que riso) e serviu na perfeição para a nossa estratégia, superiormente delineada. Sim, porque afinal, reconheçamo-lo sem medos, se não fosse essa belíssima e inocentérrima patacoada, não teria sido nada fácil chegar a isto, a este nosso primeiro primeiro de Janeiro não-fumador.
Mas ai. Nem de propósito. Agora andam por aí uns tipos (mas esta malta não desiste?) a apregoar uma coisa que é os cigarros sem fumo. Diacho. Bem, e agora, hem, companheiros? O que havemos de inventar para lhes lixar o esquema? Com isto, onde já se viu, assim o paleio de chacha já não cola. Há que derrubar, e é já, essa coisa dos "cigarros sem fumo", caramba! Há que pôr essas cabecinhas a trabalhar, como dizia o outro, "é urgente", vá lá, depressa, desenrasquem aí outra coisinha mimosa, assim uma frasezinha lapidar do género da outra, sei lá eu bem, assim de repente, ó chatos do caraças. Sinceramente, não me ocorre porra nenhuma.
Isso depressinha, ouvistes? Quando não, não tarda nada temos aí esses malditos viciados outra vez a dar à nicotina, ao nosso lado no café, no autocarro, no avião, na mesa do lado, na casa do lado, em suma, em todo o lado. E isso, é claro, nós não vamos permitir. Ai isso é certinho.

Cigarro sem fumo: notícia no Daily Mail e artigo no site Escape.
Imagens de Daily Mail e blog Último Reduto.
Estatísticas
Tempo que levou a escrever este panfleto: 6 cigarros.
Tempo que leva a ler esta porcaria: 6 Smarties (cuidado com o fígado).
Esperança de vida do autor: 24 horas, pelo menos.
Esperança de vida do leitor: 150 anos, pelo menos.
Publicado no Apdeites em 09.12.07.
Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Os dias da raça
arroz de cabidela
Tabaco
galheteiros
paliteiros
pauliteiros
jaquinzinhos
Bolos na praia
brinquedos com arestas
brinquedos sem arestas fabricados na China
restaurantes chineses
chinesas
chapeuzinhos chineses para bebidas
chapeuzinhos de Taiwan para bebidas
bebidas para pôr debaixo dos chapeuzinhos
colher-de-pau (os talheres de plástico, pode)
assadores em barro
bolas de Berlim
pão caseiro
queijo caseiro
comida caseira
seja o que for caseiro
caseiros
sem-abrigo não licenciados
sem-abrigo licenciados
Ginjinha do Rossio
ginjinha sem ser do Rossio
aguardente de medronho
vinho "americano"
jeropiga
zurrapas em geral
etecetera
Companheiros, amigos e camaradas.
Se ansiamos por uma raça pura e saudável. Se queremos uma sociedade higiénica e bem cuidada, para sempre livre de mistelas e de misturas. Se desejamos o apuro e o aprumo do português verdadeiro, antiquíssimo, vetusto, porém moderno e avançado, superior mesmo. Se é isto que pretendemos, acima de tudo, então estamos no bom caminho. (aplausos)
Não se trata exactamente de seleccionar os elementos mais preparados e geneticamente mais aptos. O que se pretende é apenas e tão só normalizar características para uniformizar carácteres e para formar, num futuro não muito distante, o novo homem lusitano: já não atarracado, analfabeto e de bigode, mas alto, de porte atlético, entre um metro e setenta e cinco e dois metros e dez, cento e vinte quilos no máximo, oitenta no mínimo, desportista militante, praticante de "jogging" e adepto de comida vegetariana, evidentemente não fumador, alérgico a tudo quanto cheire a álcool e a "junk-food". Eis pois o novo Português, esse que hoje é muitos e que amanhã será milhões, transpirando confiança, o capacete e as botas rebrilhando, sempre impecável no seu uniforme, orgulhoso e de porte militar, mai-la sua inconfundível conduta marcial. (aplausos)
O futuro apresenta-se radioso. Livres por fim e para todo o sempre do fumo, da comida de plástico, da ginja com elas e sem elas, dos automóveis sem dois catalizadores, dos enchidos não embalados a vácuo e de porcarias que tais, seremos os mais venturosos habitantes cá do torrão pátrio. (aplausos; gritos de "viva Portugal")
Liquidemos sem piedade essas outras ignomínias que ainda por aí empestam os ares, os vendedores de castanhas com os seus nojentos triciclos, aquelas mulherzinhas gordurosas, obesas, horrorosas, aquelas que vendem gelados e pacotes de batata frita nas praias. Trucidemos, por nossa fé e eivados da mais elevada crença, todos esses malvados alfarrabistas e antiquários, essa gentalha das coisas antigas, e velhas, e em segunda mão, queimemos-lhes a livralhada cheia de bicho e os tarecos infestados de caruncho. Encerremos sem dó nem piedade esses antros de micróbios e de salmonelas sortidas, as petisqueiras, com as suas moelinhas e as pratadas viscosas de caracóis e caracoletas, as casas-de-pasto e as tascas onde o pessoal se emborracha com tintol de péssima qualidade, e com imperiais servidas em copos nojentos, (aplausos) e com bagaços feitos sabe-se lá de quê, e tudo aquilo cheio de baratas e de cascas de pevides, o chão todo escarrado, uma estrumeira, que aquelas coisas só à base de lança-chamas, ou à bomba. Também disso havemos de dar conta, nós outros, não tarda nada. (aplausos; palavra de ordem: "somos o futuro")
Vale a pena a luta, camaradas. O futuro é já ali ao virar da esquina. Os sub-humanos já nem sabem onde se hão-de enfiar, agora que os fizemos saltar das suas tocas imundas. Havemos de encerrá-los a todos em guetos, onde poderão ainda - enquanto os deixarmos - fumar os seus malditos cigarros e assar as suas chouriças. (aplausos) E depois, camaradas, o próprio tempo se encarregará de os exterminar. Quanto àqueles que restarem, digamos, num prazo razoável, uns anos, poucos, teremos então a oportunidade histórica de os varrer para sempre da face da Terra. Não tenhamos medo das palavras, camaradas: há que levar a cabo a solução final, a verdadeira, a única, e com urgência. (aplausos)
Não toleraremos mais nem por mais tempo os velhadas inúteis, os aleijados, os estropiados, os inválidos em geral, toda essa escumalha que nada faz e tudo quer, esses malditos judeus dos tempos modernos, essa cambada de parasitas e agiotas, esses cabeludos malcheirosos que nunca vestiram um só fato-de-treino em toda a sua vil e desprezível existência. Aquilo é como as ratazanas, camaradas, não merecem mais do que o destino que lhes está traçado nos genes, a fogueira, o forno; pó e nada, eis o seu destino e a sua razão de ser. (aplausos)
Para que a nossa gloriosa raça sobreviva, é absolutamente necessário que desapareça a corja de inúteis e parasitas que vegetam à nossa sombra e que devoram as nossas sobras. Se eles não sabem a desgraça que são, se desconhecem a sua inutilidade e se recusam a sua evidente inviabilidade, se necessitam de quem lhes diga as coisas, se é preciso que alguém lhes explique, se precisam de quem lhes mostre uma solução, então nós dizemos-lhes, nós explicamos-lhes, nós mostramos-lhes: o vosso futuro está todo ali, naquela chaminé!
Até à vitória!
(ovação; palavra-de-ordem: "chaminé, chaminé")
publicado no Apdeites em 26.11.07





